Terapia Nutricional na Hemodiálise e Insuficiência Renal Terminal: Manejo de Potássio, Fósforo e Ingestão Hídrica

19/01/202612 min leitura
Terapia Nutricional na Hemodiálise e Insuficiência Renal Terminal: Manejo de Potássio, Fósforo e Ingestão Hídrica

Aprofunde-se na terapia nutricional da doenca renal cronica estadio 5D, tecnicas de coccao para remocao de potassio e prevencao da desnutricao proteico-energetica.

Cenário Metabólico do Paciente em Hemodiálise

Pacientes com doença renal crônica em estágio 5D, em hemodiálise, enfrentam estresse catabólico significativo e risco nutricional elevado. A terapia nutricional deve equilibrar a restrição de eletrólitos, como potássio e fósforo, com a prevenção da desnutrição proteico-energética (DPE). É essencial que o nutricionista compreenda as nuances da hemodiálise, pois a cada sessão, entre 10 a 12 gramas de aminoácidos são removidos, exigindo uma reavaliação das necessidades proteicas.

A oligúria ou anúria impõe restrições rigorosas à ingestão de água e sódio, prevenindo complicações como sobrecarga volêmica e arritmias. O nutricionista deve, portanto, ter domínio sobre a fisiopatologia da uremia para oferecer um plano alimentar que respeite as limitações biológicas e mantenha a qualidade de vida do paciente.

Desgaste Proteico-Energético (PEW)

O PEW afeta mais de 40% dos pacientes em hemodiálise, sendo um preditor importante de mortalidade. As diretrizes da National Kidney Foundation (KDOQI) e da Sociedade Brasileira de Nefrologia recomendam:

  • Aporte Proteico: 1,2 a 1,4 g/kg de peso corporal seco, com 50% de proteínas de alto valor biológico.
  • Densidade Energética: 30 a 35 kcal/kg de peso ao dia, evitando a utilização de aminoácidos para energia.
  • Fracionamento de Refeições: 5 a 6 refeições menores para contornar a saciedade precoce e disgeusia.
  • Suplementação Oral: Fórmulas hiperproteicas e hipercalóricas com baixo teor de potássio, fósforo e sódio, preferencialmente após a hemodiálise.

Essa estratégia ajuda na manutenção do balanço nitrogenado e na prevenção da sarcopenia, aumentando a sobrevida e a proteção imunológica do paciente.

Manejo do Potássio e Técnicas Culinárias

A hipercalemia é uma emergência médica, com níveis acima de 6,0 mEq/L podendo causar sérias arritmias. A restrição dietética deve ser entre 2 a 3 gramas de potássio por dia. As seguintes técnicas podem ser aplicadas:

  1. Dupla Cozinha: Cozinhar vegetais em água abundante, descartar a água, e cozinhar novamente para reduzir o potássio em 40 a 60%.
  2. Evitar Alimentos Ricos em Potássio: Excluir banana, abacate, água de coco, e chocolate amargo.
  3. Proibição de Sal Light: Produtos que substituem o sódio pelo potássio são perigosos.
  4. Frutas de Baixo Potássio: Incentivar o consumo de maçã, pera e melancia em pequenas porções.

Essas orientações práticas ajudam a garantir uma dieta variada e segura.

Fósforo e Quelantes

A retenção de fósforo é um dos principais fatores do distúrbio mineral e ósseo na DRC, levando a complicações graves. O nutricionista deve considerar:

O aprofundamento contínuo nas diretrizes de Nutrição Clínica fortalece a conduta do profissional. O engajamento diário do paciente entre as consultas torna-se muito mais simples com um aplicativo para nutricionista integrado ao plano alimentar. Para acelerar a montagem de cardápios com exatidão científica, o profissional pode se apoiar no cálculo dietético baseado na Tabela TACO.

  • Fósforo Orgânico vs. Inorgânico: O fósforo em alimentos naturais é menos absorvível em comparação aos aditivos químicos.
  • Razão Fósforo/Proteína: Manter abaixo de 12 mg/g, priorizando fontes proteicas com baixo fósforo, como clara de ovo.
  • Uso Correto de Quelantes: Ingerir junto com as refeições para prevenir a absorção de fósforo.
  • Meta de Fósforo Sérico: Manter entre 3,5 e 5,5 mg/dL, conforme diretrizes nefrológicas.

A educação do paciente sobre rótulos alimentares é crucial para evitar a ingestão de aditivos fosfatados.

Nutronum como Ferramenta de Precisão

Calcular planos alimentares para pacientes renais é complexo. O aplicativo Nutronum fornece dados precisos sobre potássio e fósforo, facilitando a elaboração de cardápios adequados. Ele gera relatórios e receitas que ajudam na adesão às orientações nutricionais, promovendo segurança e confiança ao paciente.

Controle Hídrico e Ganho de Peso Interdialítico

No paciente anúrico, o controle da ingestão hídrica é vital. O ganho de peso interdialítico não deve exceder 4 a 5% do peso seco. As recomendações incluem:

  1. Restrição Hídrica: Considerar o volume urinário residual mais 500 a 700 ml para perdas insensíveis.
  2. Redução do Sódio: Abaixo de 2 g/dia, para controlar a sede.
  3. Estrategias para Alivio da Sede: Utilizar gelo de infusão de ervas e balas sem açúcar.
  4. Prevenção de Hipotensão Intradialítica: Controlar ganhos de peso para evitar complicações durante a hemodiálise.

Seguir essas diretrizes assegura sessões de hemodiálise mais seguras e eficazes.

Outro aspecto indispensável para o sucesso terapêutico no consultório é examinar as evidências de Terapia Nutricional na Doença Renal Crônica: Manejo de Fósforo, Potássio e Carga Ácida. Além disso, as intervenções dietéticas ganham ainda mais sustentação quando alinhadas às diretrizes de Terapia Nutricional na Doença Renal Crônica Não Dialítica: Restrição Proteica e Cetoácidos.

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