Fisiopatologia e Terapia Nutricional na Doença Renal Crônica Inicial

09/05/202614 min leitura
Fisiopatologia e Terapia Nutricional na Doença Renal Crônica Inicial

Preservando a função renal: estratégias nutricionais de precisão para retardar a progressão da nefropatia e controlar o estresse oxidativo uremico.

Estadiamento e Fisiopatologia da Perda Progressiva de Néfrons

A Doença Renal Crônica (DRC) é caracterizada por alterações estruturais ou funcionais do parênquima renal por mais de três meses, impactando a homeostase metabólica. Classificada em cinco estágios pelo KDIGO, os estágios iniciais (um, dois e três) são cruciais para intervenções nutricionais precisas.

Nesses estágios, com taxa de filtração glomerular entre 30 e 89 mL/min/1,73m² ou albuminúria persistente acima de 30 mg/g de creatinina, o paciente geralmente está assintomático. O parênquima renal funciona sem sintomas, mas processos hemodinâmicos e inflamatórios aceleram a destruição de glomérulos e fibrose intersticial.

O nutricionista deve evitar tratar pacientes em estágios iniciais como se estivessem em hemodiálise. Enquanto a diálise requer aumento da proteína para repor perdas, os estágios não dialíticos necessitam de estratégias que aliviem a carga sobre os néfrons, retardando a progressão da DRC.

A Hipótese de Brenner e a Hiperfiltração Glomerular

A dietoterapia renal conservadora baseia-se na teoria da hiperfiltração glomerular, proposta por Barry Brenner. A perda de néfrons faz com que os glomérulos restantes aumentem sua atividade para manter a depuração global, resultando em hipertensão intraglomerular.

Embora a hiperfiltração mantenha temporariamente os níveis de ureia e creatinina, a pressão excessiva danifica os podócitos e provoca esclerose glomerular. O consumo elevado de proteínas agrava essa situação, induzindo hiperfiltração e acelerando a perda funcional do rim. A restrição proteica atua como um freio, aliviando a pressão intraglomerular e protegendo a microcirculação renal.

Restrição Proteica Conservadora: Dosagens e Qualidade

Nos estágios três A e três B da DRC, a ingestão proteica deve equilibrar a proteção glomerular e a prevenção da desnutrição. As diretrizes do KDIGO recomendam 0,55 a 0,60 g de proteína por kg de peso corporal para pacientes não diabéticos e 0,60 a 0,80 g para aqueles com nefropatia diabética, considerando a instabilidade glicêmica.

O aprofundamento contínuo nas diretrizes de Nutrição Clínica fortalece a conduta do profissional. Acompanhar a evolução dos pacientes em tempo real fica mais prático através de um app para nutricionistas desenvolvido especificamente para a prática dietética. Aumentar a fidelização e a clareza na rotina do paciente é o foco do aplicativo integrado para o paciente.

A qualidade das proteínas é tão importante quanto a quantidade. A literatura atual sugere que a maioria das proteínas deve vir de fontes vegetais, como leguminosas e cereais integrais, que causam menor vasodilatação glomerular e produzem menos ácidos endógenos.

Cetoácidos e Dietas Muito Baixas em Proteína

Pacientes em estágio quatro da DRC podem se beneficiar de dietas muito baixas em proteína (VLPD), com ingestão entre 0,28 e 0,40 g por kg por dia, desde que acompanhadas de cetoácidos e aminoácidos essenciais. Os cetoácidos ajudam a reciclar o nitrogênio tóxico e fornecem aminoácidos essenciais, preservando a massa muscular.

Homeostase do Fósforo: Biodisponibilidade e Aditivos

O controle do fósforo sérico é desafiador na DRC, pois a diminuição da filtração glomerular reduz a excreção de fosfato. Isso leva a um aumento do FGF-23 e do PTH, que, embora mantenham níveis normais de fósforo, têm efeitos adversos, como hipertrofia ventricular e desmineralização óssea.

A abordagem nutricional deve focar na biodisponibilidade do fósforo, priorizando alimentos vegetais, que contêm fitatos de menor absorção, em vez de fontes animais, que são mais biodisponíveis e podem elevar os níveis séricos de fósforo.

A tomada de decisão terapêutica se fortalece quando associada aos conceitos apresentados em Terapia Nutricional na Doença Renal Crônica Não Dialítica: Restrição Proteica e Cetoácidos. Da mesma forma, compreender em detalhes o protocolo de Terapia Nutricional na Doença Renal Crônica: Manejo de Fósforo, Potássio e Carga Ácida amplia o repertório clínico no consultório.

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